Friday, May 04, 2007

FELIPE NEPOMUCENO





mencionado por:
Carlito Azevedo
Walter Gam




menciona a :
Arnaldo Antunes
Carlito Azevedo
Heitor Ferraz
















As coisas são assim


Quando você esquece o guarda-chuva é um sinal
eu falo, você não
obrigado por ter ligado: é um sinal
eu falo, você não
ganhei um par de cinzas no paraíso
não fale demais
caminhei hoje pela noite buscando você
meus olhos estão doendo
e não gosto de computador
seus olhos
podem mais que seu amor.


















Cidade do México


Crianças comem alegrias
e respiram fumaça
pensando que estão mais perto do céu.


Todo mês tem festa e riso, morte.
Derrotados guerreiros astecas
bebem tequila,
resistindo ao tempo e à distância.


Existem muitos mexicanos
espalhados pelo mundo.


































2839


2839, traz milona, traz milonga,
te he conocido siempre igual,
traz milonga,
triste solitário e final,
traz milonga,
traz
morcilla de sangue com nozes,
traz
alfajores brancos,
traz
talheres de Córdoba,
traz
você,
traz você agora.


Longe, muito longe,
é assim:
longaniza.............28
yaniqueque..........39
alcapurrias...........28


Era junho?
chovia?
naquel dia igual a tantos outros igual
ao dia de hoje:


Internado num hospital,
o legendário cantor de rockabilly Carls Perkins,
com ostruções na artéria caródita.


Internado num hospital,
o legendário cantor de rockabilly Bob Dylan,
com inflamações na membrana que envolve o coração.




Morcila de sangue,
traz você,
traz você,


amora.


(Ou melhor; amora-vermelha
da cor do sangue,
da papoula,
do rubi)


Que
volta, sempre volta,
chama, sempre volta,


sempre,
sempre,
volta sempre,
milonga traz.










Felipe Nepomuceno nasceu em Sao Paulo, 1975. Escreveu os livros ‘O Marciano’ (1997), ‘Calamares’ (1999), ‘Fotonovelas’ (2000) e ‘O Aquário (2001), todos publicados pela Editora 7 Letras.

9 comments:

Carlito Azevedo said...

Valeu a pena ê ê...
Valeu a pena ê ê...
Valeu a pena esperar!
Não desistir de vir aqui
todo dia...
Acreditar
Salve Felipão!

abraços
Carlito

afonso alves said...

É, poesia rasteja - feito corpos que podem tomar várias formas.

manoel said...

muito legal o poema 2839. muito-muito, felipe.
e botando o motor velho pra andar, hein anibal.
abraço fraterno.

manoel

ricardo said...

"2839" é mesmo muito-muito bonito, nepomuceno, como disse manoel. muito-muito.

Pedro said...

Caro Felipe,
li esseseu poema "2839" pela primeira vez na Inimigo Rumor nº3, de 1997. Dez anos se passaram e ele ainda me emociona muito.
Abraços
Pedro

Anonymous said...

"as coisas são assim" é daquelas coisas que a gente queria ter escrito. mas apenas viveu. e nem sempre queria. e sempre inscreveram-se.
gracias, felipe.
R.R.

Ramon said...

Ao nascer, eu não-falo, era menina delicada. Meu pai? Psicanalista. Ih! - Gostei bem da primeira poesia.... escrever espanhol sempre atraente.... parabens pela poética! Abz

Jean P. said...

Belo poema o do Felipe ("As coisas são assim"), bela escolha a sua, Aníbal.

Mariana Portela said...

Impressionante! Saí da livraria, comecei a ler o livro no carro e agora, uma e tal da manhã, já está acabando... Gostei muito e me deu um certo alívio egoista. De que ainda há coisas muito boas nesse mundo para serem lidas!

Muito obrigada

Mariana Portela