RICARDO DOMENECK

menciona a:
Marília Garcia
Angélica Freitas
Pádua Fernandes
Dirceu Villa
Érico Nogueira
mencionado por:
Diego Vinhas

menciona a:
Marília Garcia
Angélica Freitas
Pádua Fernandes
Dirceu Villa
Érico Nogueira
mencionado por:
Diego Vinhas
Fabiano Calixto
Marília Garcia
poemas:
§
falar hoje exige
elidir a própria
voz as transações
inventivas entre
interno e externo
demandam
que a base venha
à tona e a
superfície seja
da profundidade da
história ímpeto
denotando o
centrífugo
o corpo público
que exibo como
palco fruto
da ansiedade
do remetente
o interno ao longo
da epiderme
como emily
dickinson terminando
uma carta de minúcias
com „forgive
me the personality“
(2004)
Auto-retrato para agência de acasalamento
A-
pós
a noite
em claro com
Antonioni / Plath / Radiohead
você pergunta-me
pela vida humorosa?
(cf. O. de A.)
auto-devastar-se
a única
art we master,
só nos entendendo
via subtração,
nossos encontros
fantásticos!, cavalheiros,
como anseio
por ele
que piora tudo;
horas
para arrumar-se
e no fim
este trapo?
ornam,
combinam,
caem
tão bem;
aguardo o dia
em que tudo
o que disser-me
o ventríloquo
seja a citação
de alguém algures,
como desaparecer
completamente;
nosso amor durou
quinze hematomas e
a incubação
da escabiose,
minha herança!;
quando acordei,
cada coisa em seu
lugar onde
eu, eu, eu
deixara;
ah! amar é
inter-
ferir,
salvar
se de si
(2005)
Enteléquia
total
idade
mediada
por angulos e novas
operações,
triangular-se
mas coordenada
pela posição empírica
do sujeito
a objeções
como
criatura de
30
ou
criatura de
80
dizendo: "a seara
está branca"
em plenitude, resignação
e as superfícies
concavas, convexas
de Alice B. Toklas
sugerindo a Gertrude Stein
"A rose is a rose is a rose is a rose"
& eu, etc e preferência
escrevo
arroz, arroz, arroz, arroz
ou qualquer brancura
sobre o seu
rosto
sobre o seu
dorso
sobre o seu
sobre
& que eu
sobre quando
esgotarem-se
todas as outras possibilidades eretas
se não
do mundo,
da cidade,
então, esqueça meu nome
se a mim basta-me
um assovio
para que minhas palmas e joelhos
apresentem-se ao seu tapete
e minha saliva não
frustre a minha língua
pois a aprendizagem com
Oswald de Andrade / Frank O'Hara
demonstra que nomear muitas vezes
simplesmente
acalma,
Johannes Göhlich Johannes Göhlich
e venho com este
chamar sua atenção
não-lusófona
conquanto este sujeito
sempre perturba
minhas reflexões
e intromete-se
nos objetos, no ambiente
como se a cutícula
se desprendesse e começasse
a distanciar-se
e fosse obrigado
a admitir
como apêndice
as unhas
bio/biblio
Marília Garcia
poemas:
§
falar hoje exige
elidir a própria
voz as transações
inventivas entre
interno e externo
demandam
que a base venha
à tona e a
superfície seja
da profundidade da
história ímpeto
denotando o
centrífugo
o corpo público
que exibo como
palco fruto
da ansiedade
do remetente
o interno ao longo
da epiderme
como emily
dickinson terminando
uma carta de minúcias
com „forgive
me the personality“
(2004)
Auto-retrato para agência de acasalamento
A-
pós
a noite
em claro com
Antonioni / Plath / Radiohead
você pergunta-me
pela vida humorosa?
(cf. O. de A.)
auto-devastar-se
a única
art we master,
só nos entendendo
via subtração,
nossos encontros
fantásticos!, cavalheiros,
como anseio
por ele
que piora tudo;
horas
para arrumar-se
e no fim
este trapo?
ornam,
combinam,
caem
tão bem;
aguardo o dia
em que tudo
o que disser-me
o ventríloquo
seja a citação
de alguém algures,
como desaparecer
completamente;
nosso amor durou
quinze hematomas e
a incubação
da escabiose,
minha herança!;
quando acordei,
cada coisa em seu
lugar onde
eu, eu, eu
deixara;
ah! amar é
inter-
ferir,
salvar
se de si
(2005)
Enteléquia
total
idade
mediada
por angulos e novas
operações,
triangular-se
mas coordenada
pela posição empírica
do sujeito
a objeções
como
criatura de
30
ou
criatura de
80
dizendo: "a seara
está branca"
em plenitude, resignação
e as superfícies
concavas, convexas
de Alice B. Toklas
sugerindo a Gertrude Stein
"A rose is a rose is a rose is a rose"
& eu, etc e preferência
escrevo
arroz, arroz, arroz, arroz
ou qualquer brancura
sobre o seu
rosto
sobre o seu
dorso
sobre o seu
sobre
& que eu
sobre quando
esgotarem-se
todas as outras possibilidades eretas
se não
do mundo,
da cidade,
então, esqueça meu nome
se a mim basta-me
um assovio
para que minhas palmas e joelhos
apresentem-se ao seu tapete
e minha saliva não
frustre a minha língua
pois a aprendizagem com
Oswald de Andrade / Frank O'Hara
demonstra que nomear muitas vezes
simplesmente
acalma,
Johannes Göhlich Johannes Göhlich
e venho com este
chamar sua atenção
não-lusófona
conquanto este sujeito
sempre perturba
minhas reflexões
e intromete-se
nos objetos, no ambiente
como se a cutícula
se desprendesse e começasse
a distanciar-se
e fosse obrigado
a admitir
como apêndice
as unhas
bio/biblio
Ricardo Domeneck. Paulista, vive em Berlim, Alemanha. Além de poeta,
é tradutor, ensaísta, videomaker e DJ. Como DJ, organiza a festa semanal
Berlin Hilton (www.berlinhilton.net). Edita o fanzine Hilda
e o site Flasher (www.flasher.com), para o qual escreve artigos
e entrevista artistas e músicos em Berlim e Londres.
Publicações: "Carta aos anfíbios" (Rio de Janeiro: Editora Bem-Te-Vi,
2005); "A cadela sem Logos", no prelo; "Ideologia da percepção", em
Inimigo Rumor — Revista de poesia, n. 18 (São Paulo/Rio de Janeiro:
editoras CosacNaify/7Letras, 2006); "Cuatro Poetas Brasileños
Recientes", organização e tradução de Cristian de Nápoli (Buenos Aires:
Editorial Black & Vermelho), "When they spoke I / confused cortex / for
context" (London: Blow de la Barra, 2006).
é tradutor, ensaísta, videomaker e DJ. Como DJ, organiza a festa semanal
Berlin Hilton (www.berlinhilton.net). Edita o fanzine Hilda
e o site Flasher (www.flasher.com), para o qual escreve artigos
e entrevista artistas e músicos em Berlim e Londres.
Publicações: "Carta aos anfíbios" (Rio de Janeiro: Editora Bem-Te-Vi,
2005); "A cadela sem Logos", no prelo; "Ideologia da percepção", em
Inimigo Rumor — Revista de poesia, n. 18 (São Paulo/Rio de Janeiro:
editoras CosacNaify/7Letras, 2006); "Cuatro Poetas Brasileños
Recientes", organização e tradução de Cristian de Nápoli (Buenos Aires:
Editorial Black & Vermelho), "When they spoke I / confused cortex / for
context" (London: Blow de la Barra, 2006).
10 Comments:
ah, ricardinho, que bom que você existe... fico sempre numa alegria quase insana lendo você, angie, mar, ju krapp, w. gam - é um baita privilégio que eu não sei se todo mundo já se deu conta...
saudades
carlito
3:20 PM
privilegio, carlito, eh que angie, marilia y yo tenhamos a sorte de ter voce por perto, como leitor, como editor, como amigo, cara.
e os livros da marilia e da angelica tem me feito tao feliz estes dias... eu os carrego na mochila aqui em berlim, as folhas impressas jah todas amassadas... a poesia delas me consola, me entusiasma, me anima a seguir...
e nós todos esperamos os seus poemas... beijos enormes do domeneck
4:11 PM
espero que saiba o efeito estrondoso que você tem na minha vida, ricardo. bueno, aqui nao é lugar pra declaraçoes de amor (you must know ich habe dich lieb), mas preciso dizer que os teus "carta aos anfíbios" e "ideologia da percepçao" sao MUITO importantes pra mim. depois de ler o segundo, escrever poesia ficou muito mais interessante. devo ter acumulado bonus points de karma positivo nas vidas passadas pra ser sua contemporânea. bem menos difícil fazer o que é necessário tendo amigos como você.
ps: e nao pense que esqueci do "when they spoke i/...", que é genial.
6:47 PM
O trabalho exaustivo de Ricardo Domeneck, que recolhe e elabora as experiências não tão palpáveis da vida contemporânea, é realmente exemplar. Sua percepção e sensibilidade são simplesmente estrondosas. É uma honra contá-lo entre os meus amigos.
Érico Nogueira.
12:31 PM
Rapaz, um dia a gente vai acabar se conhecendo. Acredito na benigidade do acaso... Seu leitor e colega de editora, L.M.
5:24 AM
uau
10:55 PM
Entre todas as imagens,as que nos fazem, forçar a olhar, as imagens da chama, escrita, fingida anacronica - apuradas, sensatas, às mais loucas - sonhador inflamado és um poeta em potencial, em vontade infinita de misturas.
afonso alves
4:17 AM
Ricardo, desde que te escuché leer
en el festival Salida al Mar, en Buenos Aires, advertí la incandescencia de tu poesía; sin duda una de las más interesantes de Brasil.
**
Acá un collage en portuñol:
pois
ninguém me arranha
ninguém me cospe
ninguém me chama
de kate moss
(oh, how
elisabeth chamber
of you)
ah el martirio
rosa de nunca
tener hijos a
quienes llamar
Rocamadour Abel Luke Skywalker.
Un abrazo
Alejandro Mendez
www.laseleccionesafectivas.blogspot.com
5:33 AM
Compartilho da opinião da Angélica, minha visão das coisas mudou depois de "Ideologia da Percepção", que conheci via Paulo Henriques Britto! Fantástico! "Cadela sem Logos" é igualmente impactante! Tenho o prazer de ser seu contemporãneo, pois sua contribuição para o debate sobre a poesia de hoje é, sem dúvida, inestimável!
6:36 AM
Ricardo
Sabia que você é realmente uma pessoa especial....desde os primeiros desenhos seus que tive a oportunidade de ler e sentir.
Obrigada por existir....tão longe e tão perto com suas palavras de sonhador em potecial, de poeta e de companheiro de noites insones !
Um grande abraço, da amiga e leitora dos seus devaneios disfarçados de palavras serzidos pela sua sensibilidade infinita !
Júnia
11:14 AM
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