Tuesday, September 12, 2006

DIRCEU VILLA





menciona a:
Flávia Rocha
Ana Rüsche
Rodrigo Petronio
Fabrício Corsaletti
Alexandre Barbosa
Paulo Ferraz
Donizete Galvão
Leonardo Fróes
Horácio Costa
Angélica Freitas
Valério Oliveira
Florbela de Itamambuca


poemas


Eu adoro

Todos gravitam à sua volta.
Gravitam, essa é a palavra, e você no centro do sistema.
Sob sua pele sedosa, o coração, e há um segredo nele.
A essência primordial de suas fibras, onde surge todo calor:
O que o manteria para sempre, e a luz que você projeta?
Não sabemos, e esse é o significado de adorar.



angst brazileira II

pedicures de plati
tudes! des in tegr ado
verso abre com
inter
rogação:

? que persegue
plumas num afã
de empalhar
a intuição:

agora o quê
será como
e o como
jamais será quando

tragar o preto
do branco
plutocrata
da página

pelotas de trava
línguas
pétala
antiromântica sim
mas atrozgeriátrica

prostética
oh pedicures de pla
titudes de plástico,
sua voz de timbre metálico.



cães jardim europa
passear a extensão do punho
um cão a extensão da forca
um adorno animal à cobiça
senhoras a virilidade sob laço

ávido verde e calçadas lavadas
lojas de carro ternos feios escuros
óculos escuros e cães resfolegando

um desfile de dentes de ferro
sorrindo nos portões de famílias
que vendem tudo (mesmo?)

a extensão do punho tem dentes
e baba de sede sob o sol doente.

(de Icterofagia, inédito)




bio/biblio
Dirceu Villa (1975- ), poeta, tradutor, ensaísta e professor de literatura. Publicou MCMXCVIII (Selo Badaró, 1998), Descort (Hedra, 2003) e tem Icterofagia inédito. Apresentou o programa da rádio CR37, da Casa das Rosas, na internet e editou a revista Gargântua (1998-1999); foi publicado na antologia nova-iorquina Rattapallax 9 (2003); tem poemas nas revistas Ciência & Cultura e Ácaro, na qual publicou também traduções de e.e.cummings e Ezra Pound; traduziu e anotou Lustra, de Ezra Pound, para o mestrado (2004); tem ensaio sobre Fernando Pessoa publicado no "Dossiê" da revista Cult (2005); fez o roteiro e desenhou a HQ "O Entardecer de um Fauno", baseada em poema de Stéphane Mallarmé, e recentemente prefaciou os Contos Indianos, do mesmo autor (Hedra, 2006), além de A Trágica História do Doutor Fausto, de Christopher Marlowe (Hedra, 2006). Traduziu Imagens de um mundo trêmulo, de John Milton, (Hedra, 2006). Lecionoiu no curso de extensão universitária da USP e assina desde 2004 três páginas bimestrais na revista digital Germina Literatura: Officina Perniciosa (ensaios e traduções), Thesaurus (precioso dicionário de artes e letras) e Folha Elétrica (notícias novas & velhas).
dirceuvilla@yahoo.com



poética

A poesia é uma técnica e uma mística ao mesmo tempo, o amálgama entre o sonho e o cálculo, e por isso Rimbaud a chamou "alquimia do verbo". É o número imaginário. Um poeta é portanto algo bastante raro, já que emprega inteligência, sentidos e memória na tarefa de inventar o mundo numa linguagem muito específica e muito concentrada. Está em contato com forças arcaicas e visões futuras. Ele é, no tarô, aquele que pende de cabeça para baixo, ou o que está prestes a caminhar sobre o abismo. Poucos duram o suficiente para usar o símbolo do infinito sobre a cabeça, como um chapéu.


4 comments:

angélica said...

feliz de ter sido mencionada por você. já tinha curtido o "descort" e gostei muito dos teus poemas novos.

um abraçao!

dionisios ditirambicos said...

antiverso
daimom recurvo que transita por paragens sombrias.
inverso augurio de palavras céleres
evoé bacchia.

ana rüsche said...

o poeta mais charmoso desses brasis.

(e se eu colocar "o mais belo" haverá guerras de tróias por aqui?)

beijos

Anonymous said...

Ana, pode colocar "o mais belo". Pois o bichinho não é belo mesmo? Grande poeta!
Alfredo Fressia, o velhinho leitor