Monday, September 11, 2006

EDUARDO JORGE



menciona a:
Carlito Azevedo
Carlos Augusto Lima
Claudio Daniel
Francisco dos Santos
Franklin Alves
Henrique Dídimo
Horácio Costa
Horácio Dídimo
Júlio Lira
Jussara Salazar
Ruy Vasconcelos

Virna Teixeira



poemas:

1.
como animal rasteiro fulgor um rastro atraso em
relação ontem outro o mesmo ponto grafado.
vestia trajes amarelos e perdeu a memória em
passeio amnésico um bordado de flores e como
o mesmo fulgor a passar por ali? mesmo com o
sol torto a mobilidade da visão por onde os
grãos se espalharam. assim dentro de um
automóvel uma radiadora esta senhora de trajes
amarelos não sabe onde está

de trajes amarelos
um bordado ou outro em flor
de braços abertos
vaso móvel animal fulgor
sobre o novo branco a
cabeça clara
a barra do vestido em lama

e o vento dizendo a que veio


2.
carta de recomendação para esta senhora
“de trajes amarelos

não sabe quem é, onde está”
sem o nome próprio, o local e apenas cor,
uma, morna.

quando voltar a lembrar, será outra vida, disse. e
disse. há um fulgor rastejando dentro, outra
vontade – um branco vindo do amarelo claro, o
passeio outro de ontem ou de outro dia: seu
rosto se apagando na rua.

e o vento dizendo a que veio



(do caderno do estudante de luz, inédito)





extraído de um vegetal cifrado


pequeno jardim sobre mármore
lumén – antes de escorrer seccionada
clorofila luminária

(ao som do entalhe: pedra-ume afia e poli
o corte – do músculo al dente – em faísca,
de arrepio ósseo)

do orifício seco e cortante em casca –
folhas secas suspensas

o sabor antecedia o doce, o salgado:
atrição sem faísca, não sem a
origem do vermelho sôfrego, verde.

qual das duas mais afiada, devorava:

corte sequer existiu: a língua vegetal
o gume sonolento ¾ silêncio incisivo
o músculo brilhava em ilusão de sabor:

e crescia transparente na sala
de outro endereço.



(de espaçaria, no prelo)



índigo, anotações para análise

1.
as curvas do branco sobre a mesa,
há um aquário, um estímulo cromático de um
cachorro, um gesto ou dois a indecisão de ir,
um estímulo de dois peixe-espadas, desenho
animado, a mão, tatuagem esverdeada, um nome
a apagar, hoje?
dois barbeadores descartáveis, tintura para
cabelo, um animal mitológico de pé
involuntariamente testa
uma duas vezes a rotação do pescoço: ergue-se e
sai

hapf-hapf

a postura: viver no eixo de outro corpos,
gesto frontal invisível, caxingando –
porta fechada, mais dois dias de meditação


ouvindo manoel e elida





bio/biblio
Nasceu em Fortaleza, 1978. publicou um poema chamado san pedro (2004) e espaçaria (no prelo). Faz parte do Núcleo de dança do Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção. Pesquisa algumas possibilidades eletrônicas do poema.



poética
Bem, a palavra me apresenta algumas possibilidades. Um ir e vir e um fluxo que para o corpo tenta dar conta a dança. Uma zona temporária talvez essa escrita. Um lugar que imobiliza, que é um começo e pode sumir depois em outras coisas.

3 comments:

diego vinhas said...

eaí, dotô, esse do "caderno" eu não conhecia; é bonzão, hein?

ivaldo ribeiro filho said...

lindos, eduardo. lindos...

Anonymous said...

Uma delícia seus poemas Eduardo...um fluxo perfeito e arquitetônico...Mas algo, particular, me intriga. Você não teria sido estudante do Colégio Liceu?
Um grande abraço.
Marcia de Mesquita.
(luamarcia@gmail.com)