Monday, September 11, 2006

FRANKLIN ALVES DASSIE

mencionado por:Leonardo Gandolfi
Eduardo Jorge
Manoel Ricardo de Lima
Rodrigo de Souza Leão
Virna Teixeira
Diego Vinhas


menciona a:Age de Carvalho
Carlos Augusto Lima
Dora Ribeiro
Diego Vinhas
Eduardo Jorge
Leonardo Gandolfi
Manoel Ricardo de Lima
Rodrigo de Souza Leão





poemas:

Do livro do cachorro

1)

Falar, falar somente
duas ou três
coisas – duas ou três
ou coisas, alguém
Dizem coisas, dizem
falar – diz-se cão
ou cachorro ou ainda cão
e, quem sabe, cachorro
quando duas ou três
coisas, sim, quando duas ou três
coisas morrem:
um cão, um cachorro,
alguém


2)

Não, não compreender
quando, mas não
compreender –
dizer isto, dizer cão,
dizer ou lata
ou sentença
ou possibilidade –
um cachorro, sem
compreender, diria que
existem anos menores
que dias, anos
ou dias menores
que latas


3)

Fingir, fingir saber
a rua, a explicação,
seu final
um muro que a precipite
(uma rua, perguntam)
Fingir, fingir que
sabe ou dizer: um cão,
melhor, um cachorro
que sabe, ou finge
saber, aquilo
que num dicionário
sem uso, velho ou
ontem


4)

Descansar, esperar
a rua, onze e quinze
vinte e seis,
subtrair dias
Descansar, sim, subtrair
um dia, restar onze
Dizer e falar
duas ou três coisas,
ler, devagar, um livro,
um dia numa
noite – por falta de luz
as pessoas descansam,
dormem


5)

Subtrair, escrever
a rua (daqui, quem sabe,
com muito esforço e uma lente,
a baía) ou
as duas ou três ou as
coisas, pequenas,
precipitadas como quem
repete, engasga – como quem
sem esforço ou sem
linha, o horizonte
(se houver) horizonte
ou se houver, enfim,
descanso


6)

Não saber ou não saber
a geometria, isto ou
quando faltar dias, linhas,
dizer: ontem, esforço,
descaso ou cão (diz-se ainda
cachorro) – quando dizem
dizem que sabem
ou cão, dizem mentir
Ninguém se importa:
daqui duas ou três linhas
ou três coisas, ou ruas,
alguém, algo, acaba,
sem uso


7)

E dormem, sim, subtraem,
precipitam – latir isto
daqui, da rua, ou dizer
ontem, dormir
Aquele que engasgou, engasgou
dizem – um cão (melhor dizer
duas ou três horas)
engasgado
quando um pedido, uma
desculpa, agora,
quando dizem que para
explicar, latiu,
ontem





bio/biblio:
Nasci no dia 02 de outubro 1973, em Niterói. Escrevi um livro chamado Céu vermelho, mas desisti dele. Dei aulas de teoria da literatura na UFF (Niterói-RJ). Participo, na mesma universidade, como doutorando, do grupo de pesquisa Poéticas da contemporaneidade, com trabalho sobre experiência lírica e doença.


poética:
“Quer fazer o favor de dizer o que me pertence e o que não me pertence?”
(Bernard Shaw).

8 comments:

manoel r. de lima said...

daí, frankalves. muito bom, muito bom isso aí. abraço em você, fraterno-fraterno. e um viva a FFAD.
(mané)

Carlito said...

ih franklin, cuidado
com a fumacinha do
anish kapoor, tá legal?
parabéns pelos poemas,
muito legais mesmo.
abraços
carlito

júlia studart said...

meu amigo casca grossa, muito bom, enorme de bom. beijos. júlia.

(senti falta dos créditos nessa foto aê hein. rs..)

Ana Carolina said...

que lindo frank, adorei! parabéns! saudades da amiga carol.

cecilia pavon said...

hola franklin
soy uan poeta argentina que esta juntando poemas de brasil para traducir. me gustaria tener tu email.
gracias un abrazo
cecilia pavon
ceciliainespavon@yahoo.com.ar

Dolores said...

Olá, adorei os poemas.
Gostaria de manter contato meu email doloresdassie@yahoo.com.br.
Beijos da tia
Dolores

eversom said...

olá! talevz nem leia isso, esse post é antigo...
mas sou estudioso de sebastião...
podemos trocar idéias?
eversom@gmail.com
obrigado!

Louise Lou said...

...and the dog still barks...