Monday, September 11, 2006

LUIS MAFFEI



menciona a:
Sebastião Edson Macedo
Maurício Matos
Maurício Chamarelli Gutierrez
Gastão Cruz
Claudio Murilo Leal



poemas


A-ADÍLIA LOPES

a Sofia

desculpe, Adília Lopes,
mas a poesia é
sim
um ajuste de contas:
são digitais decerto
ou lápis de fina ponta
à roda de alheios pescoços
lugares
Adília
de encimadas cabeças.
não são
pois
contas que fazem poemas?
pescoço
poetisa
é papel, leitor
(leitor?)
é alvo.
desculpe, Adília Lopes,
mas a poesia é
sim
um ajuste de contas:
são sombras suicidas
aos dedos misturadas
à guisa da vida que segue
que siga.
não são
pois
contas que fazem da vida?
viver
poetisa
é luxo, papel
é arma.
desculpe, Adília Lopes,
mas sua poesia é
sim
um ajuste de contas.




CAMISA 1


Frango significa ave se
Penso em fios de armar inda o goleiro
Franco às armas do verso, um quadro inteiro
Tal às fúrias do mar água isto fosse

Ou penas de áureo pó que não conhece
A sílaba e uma aresta no artilheiro
Monte, esdrúxula coisa onde um Caeiro
Canta profícuo chão, estreita messe,

Finca em mãos proprietárias a mudez
Do lado que não seu da arquibancada
E o sangue denso é luva se talvez

O vôo da ave é água demorada,
Quadrângulo em geolho ante a altivez
Da esfera em nova veste e sem morada.




GEOGRAFIA

Kolomitzeff Mikhail o russo-sino pondo
Mariana a filha inda criança que
nem tão criança mais
passou a pôr-me em tremedeira de horizontes
a ouvir Bach o alemão autor de uns
contrapontos que haja lido em Schöenberg
o austríaco
eu não vi. nem vi seu corpo quando
nem um corpo só a jura de
calêndula no nervo na vértebra dobrada
junto ao arco de futuro violoncelo
teso ouvia pelos baixos mesmo o tempo
do permeio em concertino que vazava a
geografia do futuro
visto
e ela nua a crava do concerto apenas em desenho
exposto em pauta e dança húngara
a galrear silêncio entre países



bio/biblio
Luis Maffei (Brasília/ DF, 1974), poeta, lançou seu livro de estréia, intitulado A (editora Oficina Raquel, RJ), em 2006. É também compositor e músico, tendo lançado, em 2005, o disco na mesma situação de blake, em parceria com Marcelo Gargaglione. É bacharel em Letras pela UFRJ, mesma instituição pela qual é mestre em Literatura Portuguesa – tendo defendido a Dissertação de Mestrado Do mundo, de Herberto Helder – e onde também realiza seu Doutoramento, que se dedica ao todo da poesia herbertiana. Ainda na Faculdade de Letras da UFRJ, lecionou Literatura Portuguesa em 2004 e 2005. É ensaísta literário, com trabalhos publicados em periódicos especializados como a revista Camoniana e a Metamorfoses.


poética

Antes de mais, poesia é linguagem. Depois, na poesia, é tudo o que se quiser, basta saber querer, decerto. Basta, pois, saber, e ser, de linguagem. Poética, é claro.




3 comments:

julián lópez said...

me pregunto si es posible leer poesía en un idioma que no comprendo, del que sólo siento una especie de perfume amado. me pregunto si es preciso conocer la dirección, el sentido. supongo que no. supongo que no está mal el ejercicio de leer la partitura de una música de otro mundo. entro al blog y voy a dónde me lleva el apolíneo azar. hasta aquí llegué compañero maffei. salud, lópez.

dionisios ditirambicos said...

o poeta tende a tratar todas as palavras como capazes de realizar esse artifício-fogo-ficticio. As palavras são seus "manas" - suas dadivas e toda troca de palavras e o seu ofício é sondar as montanhas do pensamento ou, dito de outra forma, construir através delas pontes que permitam atravessar o fosso que separa a ordem do sensível e do inteligível, ou melhor, atravessar pluralidades que nao envolvem dualidades.
afonso alves
dionisios.zip.net

Paulinha said...

É um privilégio inenarrável ser aluna de Luis Maffei.