Saturday, October 07, 2006

PRISCA AGUSTONI

mencionada por
Ricardo Aleixo
Maria Esther Maciel


menciona a
(dos que ainda não estão presentes):
Eustáquio Gorgone de Oliveira
Flávia Rocha
Max Martins
Candido Rolim
Iracema Macedo



poemas






Los peces de plata,
minúsculos peces de polvo
ocuparon la casa,
sus esquinas,
y las cotizaciones del dólar
se vieron afectadas
por la extraña invasión.




(Do livro Días emigrantes y otros poemas)







rien que la pluie
n’arrache aux corps
dans le lit :
les insects flottent dans l’eau

et les mains,
- tant de mains -
qui grandissent sur le versant
des jambes

comme une tenaille



(poema inédito em livro)



ARREPIO



Uma pequena luva de lã
jaz na beira da rua.

Essa nova presença
é uma intrusão
no dia recém-nascido

e provoca pavor

pela mão órfã
nesse pérfido inverno
que não se aplaca.








AS DUNAS




ao longo do lago
há dunas
que se deslocam
com os olhares
de quem faz muito
vive algures,
num transitório
perímetro,
desativando
gramáticas,
curtos-circuitos
que cavam
depósitos de coisas
na hesitação
entre uma língua e outra



(Do livro A morsa, no prelo)







bio/biblio:

Prisca Agustoni nasceu em Lugano, Suíça, em 1975. Formou-se em Letras Hispânicas e Filosofia na universidade de Genebra / Suíça, onde morou até mudar-se para o Brasil, em 2002. Atualmente reside em Juiz de Fora, está terminando o doutorado em Letras na PUC-Minas, onde estuda a poesia brasileira contemporânea e a dos países africanos de língua oficial portuguesa. Tem poemas publicados em várias revistas literárias do Brasil, da Itália, da Suíça, dos Estados Unidos, da Espanha, entre outros. Por razões biográficas, sua vivência com a escrita se desenvolve em diferentes idiomas, como o italiano, o espanhol, o francês e o português. É tradutora de poesia e colabora com textos críticos e traduções para revistas literárias italianas, suíças e francesas.
No Brasil publicou:
Inventario de vozes (2001, poesia); Irmãs de feno (2002, poesia); Días emigrantes y otros poemas (2004, poesia, em espanhol); A neve ilícita (2006, contos).



poética

A poesia nasce de alguma escuta interior, ou daquilo que melhor chamaria de “atenção”. É um estado de alerta, no qual tanto a sensibilidade quanto a reflexão participam para captar os mínimos movimentos de sentido. Para mim, a poesia decorre de alguma pergunta em aberto, existencial, que diz respeito às nossas obsessões e errâncias, sejam elas reais ou transfiguradas. E não existiria sem a inquietação, a curiosidade, o desassossego, a dor e a plenitude de sermos profundamente humanos, naquilo que melhor nos define como humanos: o fato de sermos lúcidos e contraditórios, maravilhosos e monstruosos, enfim, seres de sensibilidade e de linguagem.

2 comments:

afonso h r alves said...

Epigrafe minha

Viro e ensejo, maré de implosões

Prisca

mande-me mais poesias e textos seus
afonso-alves@hotmail.com

Anonymous said...

Prisca: ha sido un gran descubrimiento, uno gratísimo, encontrar tus poemas en este sitio. Me han dejado hondamente impresionado. Concuerdo en casi toda tu poética, en estar a la búsqueda del momento en que la poesía se presenta.
Me impresiona tu escritura multilingüe, un poco a raz del nomadismo o escritura Nomade que, quizá en otro sentido, pretenden, por un lado Alan Mills (Guatemala) y por otro Héctor Hernández Montecinos (Chile).
Yo también estoy en las elecciones afectivas, en las de México. Desde acá te escribo.
Me interesaría intercambiar poemas y charla, algunos libros.
Ojalá te intereses.
Te dejo mi dirección electrónica por si acaso: paniagua.luis@gmail.com
un gran abrazo y un gusto,
lp