Friday, October 13, 2006

SIMONE BRANTES



mencionada por
Carlito Azevedo
Marília Garcia
Caio Meira
Daniela Storto

menciona a
Vou mencionar os poetas (quase todos publicados pela 7 Letras) que foram decisivos quando escrever poemas deixou – pelo menos por um bom tempo – de ser uma prática esporádica, mais especificamente em 1999:
Adélia Prado
Alberto Pucheu
Aníbal Cristobo
Armando Freitas Filho
Caio Meira
Carlito Azevedo
Eucanaã Ferraz
Ferreira Gullar
Paulo Henriques Britto
A leitura de muitos outros poetas veio depois, mas já foram – acho que todos – mencionados.


poemas



PASTILHAS BRANCAS
Dormi calma por duas pastilhas brancas embalada,
como quem não tem ocupada a alma por tudo que dói.
Talvez, apartada de mim, minha dor tenha andado por aí perdida
ou tenha ficado o tempo todo aqui bem próxima
estendida sobre a cadeira
como essas roupas que se despem na véspera
e se vestem sem pudor no dia seguinte.



(Pastilhas brancas)
Pernas desgraciosas entre duas
pistas de carros
em movimento ela coça as coxas,
não preciso ver seu rosto e saber
que é feio, o casaco amarelo chama
atenção mais que a sua vida, nunca o vento
em seus cabelos
será belo.


(No caminho de Suam)
O sonho é só uma história
que a memória
de manhã transforma
em paisagem:
é só uma miragem,
uma peça que a razão
te prega.
Tente se lembrar da
sombra que há sob
toda árvore:
no sonho não há sombra
só claridade.


(No caminho de Suam)






Poema para memória de um sonho com homem, roupa e águaA costura se esvaía
na água represada
e já não havia o que juntava
o punho à manga
a manga ao corpo
da camisa.
A falta de roupa
estreitava o corpo
ou o corpo
no fim da roupa se esvaía?
A pele era pesadelo
falta de poros para
a passagem que é humana
mas que só um galo
ao seu simples chamado
abria.


(Inédito)

Ela me disse: meu coração
quer sair pela boca, eu
segurava minha boca
para que não saísse
pelo coração.


(Inédito)






bio/biblio:
Publiquei o livro Pastilhas brancas (Rio de Janeiro: 7 Letras, 1999) e No caminho de Suam (Rio de Janeiro: Moby-Dick, 2002) e poemas nas revistas Inimigo Rumor, Etc. e Poesia Sempre.




uma poética:
"O artista inconfessável", de João Cabral de Melo Neto
Fazer o que seja é inútil. / Não fazer nada é inútil. / Mas entre fazer e não fazer / mais vale o inútil do fazer. / Mas não, para esquecer / que é inútil: nunca o esquecer. / Mas fazer o inútil sabendo / que ele é inútil, e bem sabendo / que é inútil e que seu sentido / não será sequer pressentido, / fazer: porque ele é mais difícil / do que não fazer, e dificil- / mente se poderá dizer / com mais desdém ou então dizer / mais direto ao leitor Ninguém / que o feito o foi para ninguém.

6 comments:

Carlito said...

simone, sempre gostei dos seus poemas, sempre gostei desse sorriso de quem está de férias, diante do mar azul safira da república dominicana, como diz aquele poema que você gostava, lembra?
beijos.
carlito

Anonymous said...

Este poema do sonho é lindo, lindo. É bom ler seus poemas, Simone. Beijos, Heitor

Caio Meira said...

Bacanas os poemas novos, Simone. Eu só indico poeta porreta!

Caio Meira

Alberto said...

oi, simone, fora os antigos de que já gostava muito, fora pastilhas brancas, que eu adoro, gostei muito dos novos também. beijos, beto

Neuci&Cia said...

Gostei dos novos, mas.... me desculpe.... "as pastilhas brancas" estão no meu coração.

Bjos.... e obrigada pelas "belezas" que vc manda.

analise said...

olá, simone, também gostei muito dos novos poemas. pastilhas brancas é para sempre. e o poema do sonho é uma pequena maravilha. beijos
cláudio oliveira